On the road: as fotos de Kenneth Jarecke

Kenneth Jarecke (nascido em 1963) é um fotojornalista norte-americano. Já viajou o mundo com sua câmera, tendo registros incríveis, como a foto abaixo (uma das minhas preferidas de seu portifolio).

Jarecke_website_copyright_2013_0013

É mais conhecido pela foto do soldado iraquiano incinerado, publicada no The Observer, 10 de março de 1991. Nas horas que antecederam o cessar-fogo que acabariam com a primeira Guerra do Golfo, Jarecke estava viajando pela rodovia Iraque-Kuwait quando encontrou um caminhão destruído pelo bombardeio americano. A foto retrata os restos carbonizados de um soldado iraquiano com sua última expressão de dor impressa no rosto, seus braços caídos sobre a janela do caminhão, tentando se levantar; como se olhasse para a câmera. Jarecke estava viajando com um agente de relações públicas militares que lhe permitiu tirar a foto.

001
“If I don’t photograph this, people like my mom will think war is what they see on TV” Jarecke

 

Talking photojournalism with Burnett & Jarecke, 2011:

_MG_3465
Síria

Website: http://www.kennethjarecke.com

Twitter: https://twitter.com/kennethjarecke

Anúncios

“A Poetisa”, um filme saudita na 41ª Mostra Internacional de Cinema

“Hissa Hilal, uma poetisa de 43 anos e ativista da Arábia Saudita, testa seus limites na luta diária por mudanças. Encoberta em uma burca, ela ganhou fama internacional no Million’s Poet — um prestigiado concurso de Abu Dhabi— com seus poemas críticos ao terrorismo e às ideologias de islâmicos fanáticos.”

 

Links:

6ª Mostra Ecofalante na UFABC

“Quando dois mundos colidem”

16.10.2017

“Quando dois mundos colidem” trata do conflito de interesses na Amazônia peruana. De um lado, os povos indígenas querem manter suas terras e floresta. Do outro, o governo quer atrair investidores de fora com a exploração de petróleo, minerais e gás natural. A presença da transnacional Petroperu é tão emblemática e constante quanto os tanques de concreto, estampando o nome da empresa em verde e vermelho. Mas em nenhum momento algum diretor da empresa (ou CEO, como muitos preferem dizer) exerce o poder de fala. O porta-voz é um engenheiro, alguém que sabe calcular as palavras e falar em termos complexos.

O documentário mostra os dois lados: tanto o de líderes poderosos, como o da população peruana, persistente e com claros objetivos de manter sua posição sobre a preservação do território. De um lado, o presidente Alan Garcia, que, ansioso para entrar no cenário mundial, começa a extrair agressivamente petróleo, minerais e gás de terras amazônicas indígenas intocadas. Ele é rapidamente encontrado com a feroz oposição do líder indígena Alberto Pizango, cujos discursos apaixonados contra as ações destrutivas de Garcia provam um poderoso grito de reunião para as multidões de seus apoiantes. Enquanto Garcia continua a ignorar os seus pedidos, uma guerra de palavras tensas ganha proporções de violência mortal, num local de nome pitoresco: Curva do Diabo.

Uma fala em particular, vinda de uma jovem da comunidade indígena, nos traz um mix de emoções e questionamentos: “policiais são heróis porque lutaram contra o inimigo. E nós o que somos?” reflete a jovem ao lembrar das mortes, tanto de membros de sua comunidade, como de policiais e oficiais do governo. O petróleo, como dito mais a frente, “tem mais valor do que uma vida” e a ambição pela exploração dos recursos naturais não conhece limites.

O final do documentário traz um fundo preto, com algumas explicações em letras brancas. Uma delas fala sobre a proposta do governo de Alan Garcia em acabar com a devastação ambiental até 2021. “Nada vem sido feito”. Talvez mais algumas palavras. E escurece a tela. Não precisávamos de um the end em letras garrafais ou de um sincrônico fading out. O fim de “Quando dois mundos colidem” precisava ser abrupto. “No there’s nothing left that we can do” diz a música homônima do Iron Maiden.

“Até o fim da Terra”

19.10.2017

“Não está em mapa algum; os verdadeiros lugares nunca estão” poderia ser uma frase proferida por algum aventureiro em busca por petróleo na segunda metade do século XIX, ou de alguma empresa petrolífera; mas na verdade trata-se de uma passagem extraída de uma épica  aventura pelos mares, narrada por Herman Melville em seu clássico Moby Dick.

Durante mais de cem anos as baleias foram o epicentro da economia energética. O Óleo de Baleia. Num primeiro momento o querosene substitui o óleo, mas o verdadeiro marco se dá com a exploração de petróleo. O ano é 1858 e o desbravador dos “sete mares”, William Drake. O mar dessa vez, porém, era negro e não vitimava os desbravadores com suas ondas gigantescas. Não demorou muito para que as “ondas” do ouro negro se mostrassem tão –ou mais– perversas se comparadas aos oceanos. Hubbert denominou o fenômeno de “Pico do Petróleo”, onde, por meio de algumas proposições e cálculos, propõe que a produção de combustível fóssil em uma determinada região ao longo do tempo  sofre um declínio exponencial, após atingir o pico de produção.

“Até o fim da Terra” nos coloca na era da Xtreme Energy, onde a busca por energia não é apenas um ato desbravador, é uma necessidade básica, urgente. Seja procurando nosso ouro nas areias betuminosas do Canadá; apostando em projetos “sustentáveis” como o Site C Cleaning Project; explorando o gás xisto  ou focando em fontes “não-convencionais”, o mundo globalizado precisa encontrar uma forma de conciliar os interesses econômicos com as respostas do planeta. “Se a natureza não é contra nós, também não é por nós” escreve Menville.

“É hora de decidir”

20.10.2017

“É hora de decidir” parte do princípio que cedo ou tarde os efeitos nocivos das mudanças climáticas afetarão a nossa sociedade de forma mais profunda, demandando adaptações e mudanças em nosso dia-a-dia. A partir dessa ideia, o diretor Charles Ferguson inclui uma série de entrevistas com os mais diversos profissionais, abordando soluções e desafios para o futuro.

“Primeiro as pessoas negam que haja um problema. Depois elas negam que haja uma solução. E finalmente dizem que é caro demais.” diz Mary Nichols, umas das entrevistadas. A sua fala revela um ponto central na escolha da matriz energética: os custos. A nossa sociedade possui um histórico de priorizar as fontes energéticas com menor custo envolvido e, na maioria das vezes, essa escolha reflete negativamente no meio ambiente.

O documentário transmite a ideia de que o tempo é o fator chave no contexto das mudanças climáticas. E que o momento atual demanda soluções que priorizem o meio ambiente. Para Jerry Brown, governador da Califórnia, “é necessário um esforço integrado”. Esse esforço transcende a mera renovação da matriz energética: requer um diálogo entre os governos, a população e a iniciativa privada. Requer também uma mudança na consciência coletiva em relação ao uso da energia. Nesse sentido, a redução do consumo é tida como um ponto crucial no contexto de um mundo mais sustentável.

Livro: “A Busca”, Daniel Yergin

PARTE 5 – NOVAS ENERGIAS (07.09.2017)

27. O renascimento das energias renováveis
Revolução Iraniana: interrupções no abastecimento de petróleo e temores graves sobre o futuro do petróleo em escala mundial.

Solução: energia solar, limpa, renovável e inesgotável.

Barack Obama: investiu bastante em energias renováveis: “A nação que liderar o mundo na criação de novas fontes de energia, vai liderar a economia global no século XXI.” (p. 542)

Problema: as energias renováveis, em sua maioria, não são competitivas em relação à energia convencional.

Dia da Terra: os principais alvos foram a poluição atmosférica e dos rios e oceanos, o lixo tóxico, os pesticidas químicos, o derramamento de óleo e a superpopulação.

Embardo do petróleo de 1973: a partir de então a energia passa a ser interesse de todos.

Meados dos anos 70: movimento ambiental concentra-se na questão energética; combatendo a energia nuclear.

Amory Lovins: físico de Oxford escrveu um artigo para a Foreign Affaiis sobre o que chamava de “caminho leve”. Argumentava que a eficiência energética e as energias renováveis seriam mais produtivas e muito mais baratas do que o “caminho pesado” do petŕoleo, gás, carvão e energia nuclear.

Discurso de Jimmy Carter sobre a escassez de energia

“Se Jimmy Carter era o pessimista da enetgia, profetizando os grandes riscos que viam adiante e advertido o país a mudar seu estilo de vida, Ronald Reagen era o oposto, um grande otismista, o farol da autoconfiança, o defensor de um novo amanhecer para os Estados Unidos.”(p.550)

No governo Reagen, os financiamentos e os incentivos para as energias renováveis foram cortados ou eiminados por completo.

Projeto Sunshine, no Japão: tentativa de reduzir a dependência do petróleo do OM.

28. Experimento cientifico

29. A alquimia da luz solar

30. O mistério do vento

31. O quinto combustível: eficiência

32. Eliminando a lacuna da conservação

Documentário: “The Secret of the Seven Sisters”

The Secret od the Seven Sisters (pt: O Segredo das Sete Irmãs)
4 episódios (50 min cada)
2013

Resumo

O primeiro episódio, Tempestades e Fortunas no Deserto, nos convida a uma viagem pelo Oriente Médio, sob o sol do deserto. Um taxista iraquiano, Ali, reclama dos americanos, alegando que eles arruinaram o país, espalhando ira e causando mortes. Ao longo da história moderna da região, desde a descoberta do petróleo, as Sete Irmãs têm procurado controlar o equilíbrio de poder. Eles apoiaram monarquias no Irã e Arábia Saudita, se opuseram à criação da OPEP, lucrando com a guerra Irã-Iraque, levando à destruição final de Saddam Hussein e do Iraque.

O segundo episódio, Safari no Eldorado Negro, encara a perda de poder das Sete Irmãs: “no final da década de 1960, as Sete Irmãs, as principais companhias de petróleo, controlavam 85% das reservas mundiais de petróleo. Hoje, eles controlam apenas 10%.” Devido às guerras no Oriente Médio e o aumento dos preços do petróleo, as Sete Irmãs concentram energias na África. Através de uma política contra a nacionalização dos recursos petrolíferos na Argélia e, através da corrupção, da guerra e dos assassinatos, as empresas tentam se reerguer. A corrupção tornou-se cada vez mais presente nos empreendimentos petrolíferos: de oleodutos à barragens e estradas – tudo (ou quase tudo) era superfaturado. Até mesmo ditadores, como Muammar Kadhafi, eram “aceitos” por países que se auto-intitulam as maiores democracias do mundo, em prol do petróleo.

O terceiro episódio, A Dança do Urso, trata do período das duas grandes guerras; do jogo de poder entre EUA e Rússia durante a Guerra Fria; assim como os desdobramentos de rivalidades antigas no cenário atual.  EUA e Rússia disputam o controle da região do Cáucaso, que, na época, era sinônimo do “poder supremo”.  Os interesses pelo petróleo do Cáucaso e do Cáspio vai desempenhar  um papel central durante a Segunda Guerra Mundial. Interesse esse resumido na fala de Stalin às suas tropas: “Combater o petróleo é lutar pela liberdade”. Após a Segunda Guerra Mundial, o presidente Nikita Kruschev construiria o império soviético com receitas provenientes das reservas de petróleo da URSS. Décadas depois, o petróleo levaria esse mesmo império à ruína, quando a Arábia Saudita e os EUA conspiraram para inundar os mercados e levar o preço do petróleo para US$ 13 por barril.  O cenário hoje conta com um novo “jogador”: China, como um dos maiores importadores de petróleo no mundo.

O quarto e último episódio, Tempo de Mentiras,

Comentário

O Segredo das Sete Irmãs, produzido pela Al Jazeera, é uma viagem no tempo e no espaço. Os quatro episódios, com uma duração aproximada de três horas, cobrem de forma didática, a história de sete empresas de petróleo que se uniram em um cartel.

Muito mais que a história das sete empresas, o documentário trata da história do petróleo, e como o jogo de interesses provocou conflitos, guerras, mortes; mas também foi responsável pelo desenvolvimento econômico e tecnológico de dezenas de países.

Existe uma preocupação em ver ambos os lados, tratando o petróleo como não apenas como uma maldição, mas também como uma espécie de “líquido mágico”.

Os episódios são compostos por um conjunto de viagens, entrevistas, fotos, vídeos e documentos antigos. Opiniões são contrastadas: há depoimentos de ministros, jornalistas, editores e políticos.

Como diria Pepe Escobar, “petróleo e gás natural podem estar relativamente baratos agora, mas não se deixe enganar. O Novo Grande Jogo do século XXI continua a ser, sempre e ainda, sobre energia, e está acontecendo sobre um imenso tabuleiro de xadrez chamado Eurásia. As casas do tabuleiro são definidas pelas redes de oleodutos e gasoduto assentadas ou projetadas de um lado a outro das áreas petrolíferas do planeta.” (ESCOBAR, 2016, p. 91). E o Segredo das Sete Irmãs, como sugere o próprio título, cumpre a função de mostrar os “bastidores” da geopolítica do petróleo.

Referências

ESCOBAR, Pepe. Império do Caos, Tradução: Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Revan, 2016.

YERGIN, Daniel. O Petróleo: Uma história mundial de conquistas, poder e dinheiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2010.

  • Com legendas em português
  • Em inglês (sem legendas)